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Parkinson= Terapia genetica…

Terapia génica reverte sintomas de Parkinson

Estudo publicado na “Lancet Neurology”

21 Mar 2011
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Uma nova terapia génica utilizada em pacientes com Parkinson consegue reduzir significativamente os sintomas desta doença, de acordo com um estudo que se encontra em fase 2 e foi publicado na revista “Lancet Neurology”.

A doença de Parkinson, que geralmente afecta pessoas com mais de 50 anos, é um distúrbio que compromete progressivamente as células do sistema nervosa central. Quando o quadro se agrava, os seus efeitos são visíveis e o doente apresenta nomeadamente rigidez muscular, tremores, diminuição da mobilidade e instabilidade postural. Apesar dos tratamentos utilizados serem na sua maioria eficazes contra os sintomas iniciais de Parkinson, com o avançar da doença muitos pacientes desenvolvem resistência e efeitos secundários ao tratamento. Uma alternativa ao tratamento é a estimulação eléctrica do cérebro, que exige o implante permanente de dispositivos.

Para este estudo, os investigadores liderados por Andrew Feigin, do The Feinstein Institute for Medical Research, em Nova Iorque, EUA, contaram com a participação de 45 indivíduos com sintomas moderados a avançados de doença. Metade dos pacientes foi submetida a terapia génica denominada por NLX-P101.

A terapia génica envolve a inserção de genes em células com objectivo de melhorar ou prevenir o desenvolvimento da doença. Neste estudo, os investigadores utilizaram o gene que codifica a enzima glutamato descarboxilase (DAG), que controla o principal neurotransmissor inibidor do sistema nervoso central, o ácido gama-aminobutírico (GABA). Este é conhecido por desempenhar um papel importante na regulação da excitabilidade neuronal sendo que a sua actividade e a quantidade estão diminuídas nos doentes com Parkinson, traduzindo-se nos problemas de movimentos debilitantes característicos desta doença.

O estudo revelou que metade dos pacientes que receberam a terapia apresentaram melhorias significativas nos sintomas em comparação com apenas 14% do grupo controlo. No geral, os pacientes submetidos a terapia génica tiveram uma melhoria de cerca de 23,1% na função motora, em comparação com os 12,7 % alcançados pelo grupo controlo. Esta melhoria apresentada pelos pacientes submetidos à terapia foi estaticamente significativa durante os seis meses em que decorreu o estudo.

De acordo com os autores do estudo estas são óptimas notícias para os indivíduos que sofrem de Parkinson. Acrescentando que este é um passo muito importante, o qual conseguiu trazer a terapia génica para o tratamento dos pacientes que sofrem de doenças cerebrais debilitantes.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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Fibrose Pulmonar em esclerodermia…

Clin Exp Rheumatol. 2010 setembro outubro; 28 (5 Suppl 62): S26-35. Epub 2010 03 de novembro.

Um sistema de diagnóstico auxiliado por computador para marcar quantitativa da extensão da fibrose pulmonar em pacientes com esclerodermia.

Kim HGDP TashkinClements PJG LiMS BrownR ElashoffDW GjertsonAbtin FDA LynchStrollo DCJG Goldin .

Departamento de Ciências Radiológicas, David Geffen School of Medicine, da UCLA, em Los Angeles, CA 90024-2926, EUA.gracekim@mednet.ucla.edu

Resumo

OBJETIVOS: Avaliar uma melhoria da fibrose pulmonar quantitativos pontuação com base em um diagnóstico auxiliado por computador (CAD) que classifica os pixels com o CT-quantitativa de fibrose pulmonar pontuação semi visual em pacientes com doença pulmonar intersticial relacionada, esclerodermia (ES-BR).

MÉTODOS: De alta resolução, imagens de tomografia de seções finas foram obtidas e analisadas em 129 pacientes com ES-BR (36 homens, 93 mulheres, com idade média de 48,8 ± 12,1 anos) submetidos a TC de base na posição prona em inspiração completa. O sistema CAD segmentado, cada um dos pulmões de cada paciente em 3 zonas. A fibrose pulmonar quantitativos (QLF) pontuação foi estabelecida através de 5 etapas: 1) as imagens foram denoised; 2) imagens foram amostradas em malha, 3) as características da intensidade da rede foram convertidos em características de textura, Textura 4) apresenta pixels classificados como fibrose ou não -fibróticos, com fibrose definidas por um padrão reticular com distorção arquitetural e 5) pixels fibrótica foram relatadas como porcentagens. escores quantitativos foram obtidos a partir de 709 zonas com dados completos e, em seguida, comparados com os escores ordinais de dois radiologistas especialistas independentes. analisa a curva ROC foram usadas para medir o desempenho.

RESULTADOS: Quando os dois radiologistas concordaram que a fibrose afetou mais de 1% ou 25% de uma zona ou zonas, as áreas sob as curvas ROC para o escore QLF foram de 0,86 e 0,96, respectivamente.

CONCLUSÕES: Nossa técnica apresentou boa precisão para a detecção da fibrose no limiar de ambos a 1% (ou seja, presença ou ausência de fibrose pulmonar) e um limiar clinicamente significativa de 25% extensão da fibrose em pacientes com ES-BR.

PMID: 21050542 [PubMed - indexado para o MEDLINE]

 

 

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Inchaços e Edemas/ causas

INCHAÇOS E EDEMAS | Causas e tratamento

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Entenda o que é o edema (inchaço) e por que ele ocorre.

Edema é o nome que se dá ao inchaço localizado em alguma parte do corpo. Os edemas mais conhecidos são os que ocorrem nas pernas. Mas edemas podem ocorrer em qualquer ponto. Existe edema de pulmão, edema cerebral, edema de glote, edema de língua etc…

Vamos então entender o que é edema. Os edemas de órgãos eu falarei em outra oportunidade. Agora vou me ater apenas aos edemas visíveis na pele.

Ao contrário do que se possa imaginar, os nossos vasos sanguíneos não são impermeáveis e apresentam poros que permitem a saída e entrada de células, bactérias, proteínas e água.


O inchaço ocorre quando há um excesso de saída de líquido para um tecido. Na verdade o excesso de água vai para o interstício, que o espaço existente entre as células dos tecidos.

Quando ocorre uma inflamação, os vasos sanguíneos ficam mais permeáveis para facilitar a chegada das células de defesa ao local da infecção ou trauma ( leia: O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação? ). Com o alargamento dos poros, há um maior extravasamento de líquidos para os tecidos ao redor.

O processo de formação de edema em um trauma ou infecção é fácil de entender e está detalhadamente explicado no link acima. O problema é que o edema pode se formar em várias outras situações.

Existem outros 3 mecanismos para formação do edema além do aumento da permeabilidade dos vasos:

1.) Aumento da pressão dentro das veias e capilares. Esse aumento nada tem a ver com hipertensão, que é a elevação da pressão arterial. Não custa lembrar que as artérias levam os sangue do coração aos órgãos e tecidos enquanto as veias fazem o caminho inverso, trazem de volta sangue dos tecidos para o coração.

O aumento da pressão venosa ocorre quando há algum tipo de obstrução, mesmo que parcial, ao fluxo sanguíneo venoso. Damos o nome de aumento da pressão hidrostática, ou seja, da pressão que o volume de líquido dentro do vaso faz sobre a parede do próprio.

VarizesUm conhecido exemplo são as varizes nas pernas. Varizes são veias defeituosas que apresentam dificuldade em levar o sangue de volta ao coração. É bom destacar que as veias das pernas precisam agir contra a gravidade, e quando há algum defeito neste sistema, ocorre um represamento de sangue nos membros inferiores. O sangue acumulado nas veias, aumenta a pressão dentro das mesmas e causam extravasamento de líquidos para o tecido subcutâneo. Este quadro é chamado de insuficiência venosa dos membros inferiores (leia: VARIZES | Causas e Tratamento).

Outro mecanismo semelhante ocorre na insuficiência cardíaca, onde um coração fraco não consegue bombear o sangue de modo eficaz, novamente favorecendo o represamento do mesmo no membros inferiores.

Tanto na insuficiência cardíaca quanto na insuficiência venosa dos membros inferiores, o edema surge e piora quando o paciente fica muito tempo em pé e tende a desaparecer após algumas horas deitado, quando a gravidade não exerce força contrária.

Um dos sinais típicos do edema nas pernas é o cacifo ou sinal de Godet, que é a presença de um pequeno afundamento na pele à digitopressão (foto abaixo). É um sinal de excesso de líquido no tecido subcutâneo.

EDEMA - CACIFO
EDEMA - CACIFO

Em algumas doenças, principalmente de origem renal, ocorre um acumulo de sódio (sal) no corpo. Esse excesso de sal aumenta a quantidade de água corporal, que por consequência aumenta não só a pressão arterial, mas também a pressão venosa, favorecendo o aparecimento de inchaços ( leia: SAL E HIPERTENSÃO)

Os 2 mecanismos descritos anteriormente (permeabilidade vascular e aumento da pressão venosa) são causas de edemas localizados, ou nas pernas ou no local acometido por trauma ou inflamação. No caso da retenção de sal, o edema costuma ser mais difuso.

2.) Um outro mecanismo para a formação dos inchaços, é a diminuição da viscosidade sanguínea, chamada de pressão oncótica, e é dada principalmente pela concentração de proteínas no sangue.
Enquanto que o aumento da pressão dentro das veias favorece o extravasamento de líquidos, a pressão oncótica faz o trabalho inverso. Portanto, a formação dos edema é um balanço entre a pressão hidrostática e a pressão oncótica.

Quando se tem alguma doença que diminua as proteínas sanguíneas (a principal é a albumina), o paciente tende a formar edemas, mesmo que a pressão dentro das veias seja normal. Neste caso o edema é generalizado, já que a falta de proteína ocorre por todo o corpo.

Quando o edema ocorre de modo difuso, damos o nome de anasarca. A doença característica deste tipo de edema é a cirrose. O principal produtor de albumina do corpo é o fígado. Quando este para de funcionar corretamente, reduz-se a síntese de proteínas e consequentemente a pressão oncótica. O resultado final é a anasarca.

asciteUm tipo de edema típico da cirrose, e que faz parte da anasarca, é a ascite (leia: O QUE É UMA ASCITE?), que ocorre pelo extravasamento de líquido para dentro da cavidade abdominal (foto abaixo). Também pode ocorrer na insuficiência cardíaca avançada. A ascite apresenta dois mecanismos: ocorre tanto pela falta de albumina como pelo aumento da pressão nas veias do fígado, comum na cirrose.

Outra doença que pode causar edemas difusos e ascite é a síndrome nefrótica, que nada mais é que uma doença renal onde ocorre perda de proteínas na urina ( leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA )

Na verdade, qualquer doença crônica grave pode inibir a produção de albumina pelo fígado e causar edema.

Linfedema3.) Outro tipo edema, esse menos comum, é o de origem linfática. É chamado de linfedema e ocorre por obstrução dos vasos linfáticos. Ocorre na elefantíase, nos cânceres, na obesidade mórbida e nos membros superiores de doente que fazem mastectomia e retirada dos gânglios da axila. Na insuficiência venosa grave e não tratada, pode ocorrer também linfedema associado.

O linfedema não costumar ter cacifo e é mais deformante que o edema venoso.

Muitas vezes os edemas são causados por mais de um mecanismo.

Causas de edema:

1.) Aumento da pressão hidrostática e/ou retenção de sódio

  • Insuficiência venosa
  • Insuficiência cardíaca
  • Insuficiência renal
  • Gravidez
  • Trombose venosa

2.) Diminuição da pressão oncótica

  • Cirrose e doenças hepáticas
  • Síndrome nefrótica
  • Doenças crônicas
  • Desnutrição

3.) Aumento da permeabilidade vascular

4.) Linfedemas

  • Câncer
  • Ressecção de gânglios
  • Elefantíase (filariose)
  • Obesidade
  • Hipotireoidismo grave (mixedema)

Edema sem causa aparente (edema idiopático)

Existe um tipo de edema que ocorre principalmente em mulheres jovens e sadias, normalmente associado ao período menstrual. Também está associado a obesidade e depressão. Não há causa aparente.

O edema costuma ser cíclico e muitas mulheres tomam diuréticos próximo ao período menstrual para alívio dos sintomas. Na verdade, tomar diurético para esse tipo de edema só PIORA o quadro. Uso crônico de diurético sem indicação é uma causa de edema por mais paradoxal que isso possa parecer. (leia: PARA QUE SERVEM OS DIURÉTICOS ?)

O diurético mal indicado aumenta a retenção de sódio, principalmente nos intervalos entre as tomadas. O doente acaba ficando dependente do remédio e não consegue estabelecer uma ligação causal com o diurético. Na verdade, o paciente acha que só o diurético alivia seu edema. Quando se suspende o diurético, ocorre uma piora do edema, o que assusta e faz com se retorne o medicamento. Após algumas semanas sem diurético, o edema regride sozinho.

Portanto, não se usa diuréticos em pessoas saudáveis com pequenos edemas nos membros inferiores, principalmente se associados ao período menstrual. O melhor é reduzir o consumo de sal, suspender drogas que possam causar edemas como Nifedipina, amlodipina, rosiglitazona Anti-inflamatórios e minoxidil. Naqueles com excesso de peso, emagrecer é necessário.

Um tipo de edema comum na prática clínica é o que ocorre em doente com longa internação, principalmente em UTI (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM PACIENTES NO CTI (UTI)).

Leia mais: http://www.mdsaude.com/2009/02/inchaco-e-edema.html#ixzz1Htv5WWTC

 

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OSTEOPENIA E OSTEOPOROSE.

Osteopenia e Osteoporose

 

 

O que é Osteopenia?

O osso é constituído por três tipos de célula que são responsáveis pela formação, regulação e reabsorção da estrutura óssea. Os osteoblastos são células novas que formam a estrutura óssea, os osteócito são células maduras que regulam a quantidade de minerais (Cálcio) no tecido ósseo e os osteoclasto reabsorvem as células “gastas e velhas”. Um osso saudável apresenta equilíbrio entre estas três células e consegue manter sua estrutura forte para absorver impacto e a carga que nosso corpo necessita para realizar suas funções. Entretanto existem fatores que podem interferir neste equilíbrio, quando isto ocorre atingindo a função dos osteócitos pode levar a uma diminuição considerável na quantidade de Cálcio do osso, recebendo o nome de osteopenia. A osteopenia não é doença e pode ser corrigida. Se permanecer por longo período, pode evoluir para a osteoporose.

A osteopenia é, portanto a diminuição de massa óssea, causada pela perda de cálcio, podendo ter, como conseqüência, a osteoporose.

O que é Osteosporose?

A osteoporose é uma doença metabólica do tecido ósseo, caracterizada por perda gradual de massa, enfraquecendo os ossos por deterioração da microarquitetura tecidual devido à perda progressiva de elasticidade e homogeneidade, tendo como conseqüência a diminuição da quantidade óssea, tornando-os frágeis e suscetíveis às fraturas.

 

 

 

Nos estágios iniciais da osteoporose, a perda de massa óssea é assintomática. Quando a perda óssea é mais significativa e já acarreta alterações clínicas, observa-se uma diminuição da estatura e aumento da cifose dorsal, devido a deformidades por compressão, ou fratura das vértebras. Como consequência de quedas, macro traumas ou mesmo traumas de baixo impacto, podem ocorrer também fraturas dos ossos longos (fêmur e radio).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) *, os critérios para diagnóstico da osteoporose de acordo com a Densidade Mineral Óssea (DMO) são:

Normal: o valor da DMO encontra-se dentro de, no máximo, um desvio-padrão, abaixo do encontrado em mulheres adultas jovens.
Osteopenia: o valor da DMO encontra-se entre -1 e -2,5 desvios-padrão da normalidade.
Osteoporose: o valor da DMO está abaixo de 2,5 desvios-padrão da normalidade.
Osteoporose estabelecida: (fraturas): o valor da DMO está abaixo de 2,5 desvios-padrão na presença de uma ou mais fraturas por fragilidade óssea.

Normal: o valor da DMO encontra-se dentro de, no máximo, um desvio-padrão, abaixo do encontrado em mulheres adultas jovens.
Osteopenia: o valor da DMO encontra-se entre -1 e -2,5 desvios-padrão da normalidade.
Osteoporose: o valor da DMO está abaixo de 2,5 desvios-padrão da normalidade.
Osteoporose estabelecida: (fraturas): o valor da DMO está abaixo de 2,5 desvios-padrão na presença de uma ou mais fraturas por fragilidade óssea.

 

Fatores de risco

De acordo com o Guarniero e Oliveira (2004) e o Ministério da Saúde (2002:515), vários fatores de risco estão associados à osteopenia e consequentemente com a osteoporose, como a idade avançada (+ de 65 anos), história prévia de fratura, imobilização prolongada, o baixo peso, o sexo feminino, a hereditariedade caucasiana, os fatores genéticos, os fatores ambientais (consumo abusivo de álcool, cafeína, tabagismo e drogas), além da baixa ingestão de cálcio, do estado menstrual (menopausa precoce, menarca tardia ou amenorréias) e as doenças endócrinas.

 

Métodos propedêuticos para avaliação da osteoporose

Radiologia
Desitometria óssea
Tomografia computadorizada
Marcadores biológicos do metabolismo ósseo

 

Tratamento

Medicamentos específicos que aumentem a absorção do cálcio e sua deposição nos ossos, suplementação de cálcio, vitamina D..

Na osteoporose instalada é importante que sejam adotadas medidas simples para se evitar quedas tais como retirar tapetes, disposição adequada de móveis, evitar o uso indiscriminado de tranqüilizantes.

Hoje em dia está nascendo uma nova arquitetura para pessoas da terceira idade que evita a queda e o esforço em demasia respeitando as características desta população que, em breve, será a maioria.

Outro fator importante na terapia da osteoporose é a introdução de exercícios adequados e a exposição ao sol como terapia adjuvante. Não se deve proibir o portador de osteoporose de andar, caminhar, tomar sol pelo medo da fratura, mas adequar sua vida e reduzir seus riscos.

 

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Toxoplasmose/ Sintomas

TOXOPLASMOSE | Sintomas, IgG e tratamento

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Atoxoplasmose é uma doença causada pelo parasita Toxoplasma gondii, presente em todo o planeta e com elevada prevalência na população mundial. Para se ter idéia do quão comum é a infecção pela toxoplasmose, estima-se que cerca de 1/3 da população mundial já tenha entrado em contato com este parasita. E a toxoplasmose não é uma doença restrita apenas a países em desenvolvimento; cerca de 80% da população de Paris e 70% dos americanos apresentam sorologia positiva para este protozoário.

Toxoplasmose - Toxoplasma gondii
Toxoplasma ao microscópio

Mas se a toxoplasmose é uma doença tão comum, por que ouvimos falar tão pouco nela? Na verdade, o sistema imune da maioria das pessoas é forte o suficiente para impedir que o Toxoplasma gondii consiga nos fazer algum mal. Este fato explica o porquê de grande parte da população ter anticorpos IgG contra a toxoplasmose (explico o que é IgG toxoplasmose mais abaixo), sem nunca sequer suspeitar ter tido contato com o parasita.

A grande preocupação em relação a toxoplasmose está nas mulheres grávidas e nos pacientes imunossuprimidos, ou seja, com sistema imune debilitado como transplantados, HIV positivo, pacientes em quimioterapia ou em uso de drogas imunossupressoras.

Para saber mais sobre toxoplasmose na gravidez, leia: TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ | TOXOPLASMOSE CONGÊNITA. Sugiro, porém, a leitura completa deste texto antes, pois alguns conceitos importantes serão aprendidos aqui.

Transmissão da toxoplasmose

O parasita Toxoplasma gondii pode contaminar qualquer animal de sangue quente, incluindo os seres humanos, porém, é apenas nos gatos que ele consegue completar seu ciclo reprodutivo. Em outras palavras, qualquer mamífero ou ave pode ter toxoplasmose, mas o parasita só produz ovos (chamados de oocistos) dentro dos intestinos dos gatos. Chamamos os felinos de hospedeiros primários; todos os outros animais são hospedeiros intermediários, pois só possuem o parasita adulto em seu organismo.

O ciclo de transmissão da toxoplasmose ocorre da seguinte maneira: um gato ingere o Toxoplasma gondii;este que se aloja em seus intestinos e passa a se reproduzir, liberando ovos (oocistos) de toxoplasma pelas fezes. Estes ovos ficam no solo até que algum animal os ingira. No caso dos humanos, a ingestão destes ovos costuma de dar pela contaminação das mãos no solo, seguido pelo contato destas com a boca. Na verdade, todas as doenças causadas pela via fecal-oral, como, por exemplo, hepatite A (leia: HEPATITE A | Sintomas, tratamento e vacina) e H. pylori (leia: H.PYLORI (Helicobacter pylori) | Sintomas e tratamento), costumam ser transmitidas por mãos inadvertidamente contaminadas por fezes.

Comer alimentos como frutas e verduras originários de solo contaminado por fezes de gatos também é uma via de transmissão. Lavar bem os alimentos antes de comê-los é uma medida eficaz para se reduzir a transmissão da toxoplasmose

O parasita toxoplasma gondii parece também ser transportado por moscas e baratas que, ao terem contato com fezes de gatos contaminados, conseguem transportar os oócitos por longas distâncias.

Um dado importante é fato do oócito só se tornar infectante após 24-48 horas no solo. Por isso, é importante limpar diariamente as caixas de areia dos gatos a fim de evitar que os ovos do toxoplasma se tornem viáveis para transmissão.

Os outros animais, apesar de não disseminarem ovos de toxoplasma pelo ambiente como os gatos, também podem ser vias de transmissão da toxoplasmose. Uma vez que o parasita se aloja nos tecidos dos animais contaminados, basta comermos carnes mal passadas destes para que o toxoplasma entre em nosso organismo. Os principais carnes com risco de transmissão são as de porco, carneiro e veado. É importante ressaltar que o animal não precisa estar doente para ter o toxoplasma em seus tecidos. Assim como ocorre em nós humanos, havendo um sistema imune intacto, o toxoplasma fica presente nos animais sem causar doença, apenas adormecido em seus tecidos. Se sua carne não for bem cozinhada, o parasite sobrevive e contamina o trato digestivo de quem o está ingerindo.

O simples ato de manusear carne crua com toxoplasma é suficiente para contaminar mãos e utensílios de cozinha como facas e pratos. Um cozinheiro que prepara uma carne com toxoplasma, se não lavar as mãos, pode contaminar a si próprio e também outros pratos que venha a preparar.

O terceiro modo de transmissão da toxoplasmose é pela transfusão de sangue (leia: DOAÇÃO DE SANGUE | informações para doadores para saber como é feita a triagem dos sangues para transfusão) ou pelo transplante de órgãos de doadores contaminados para receptores não contaminados.

Ainda existe a via de transmissão durante a gravidez, mas desta falaremos separadamente em outro texto a ser publicado brevemente.

Sintomas da toxoplasmose

Até 90% das pessoas sadias que se contaminam com o toxoplasma gondii, independentemente da via de transmissão, permanecerão assintomáticas indefinidamente. Nas aquelas poucas pessoas imunocompetentes, ou seja, com sistema imune sadio, que venham a desenvolver a doença toxoplasmose, o quadro clínico costuma ser brando, com sintomas semelhantes a um quadro gripal inespecífico com febre, dor muscular, cansaço, dor de cabeça e rash cutâneo. O sintoma mais característico é um aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço. Até 30% dos casos sintomáticos costumam ter linfonodos aumentados por todo o corpo. Alguns casos apresentam também dor de garganta, ficando muito semelhante a uma mononucleose (leia: MONONUCLEOSE | DOENÇA DO BEIJO).

Ao contrário de quadros virais comuns, a toxoplasmose sintomática costuma durar algumas semanas, em alguns casos, até meses.

Raramente a toxoplasmose pode causar problemas mais graves em pacientes sadios como lesões nos pulmões, coração e nos olhos, chamados respectivamente de pneumonite, miocardite e coriorretinite.

Independente de haver sintomas sintomas ou não logo após a contaminação, o paciente imunocompetente que adquire o parasita permanece com ele adormecido nos tecidos do corpo, geralmente músculos e tecidos nervosos, pelo resto da vida. O toxoplasma permanece anos inativado, controlado pelo sistema imune, somente à espera de qualquer problema que reduza nossas defesas naturais para voltar a atacar nosso corpo.

Sintomas da toxoplasmose em pacientes imunocomprometidos

Pacientes imunocomprometidos são aqueles que apresentam um sistema imune fraco, como nos seguintes casos:

- HIV e AIDS (SIDA) (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA))
– Câncer e quimioterapia (leia: SINTOMAS DO CÂNCER)
– Pacientes transplantados (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS)
– Pacientes em uso de drogas imunossupressoras como corticóides (leia: PREDNISONA E CORTICÓIDES | Indicações e efeitos colaterais)

Toxoplasmose cerebral
Toxoplasmose cerebral

Neste grupo de pacientes, a toxoplasmose é uma doença muito grave, uma vez que o sistema imune é deficiente e incapaz de impedir a proliferação do parasita.

Nos imunodeprimidos, a toxoplasmose pode ser uma doença recentemente adquirida, mas é na maioria das vezes uma reativação de uma infecção crônica que passou anos em silêncio enquanto o sistema imune ainda estava intacto, e agora, aproveita-se da baixa imunológica para atacar o organismo.

A lesão cerebral pelo toxoplasma é das mais comuns em pacientes imunodeprimidos. Os sintomas da toxoplasmose cerebral incluem convulsões (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA), alterações na marcha, na fala, nos movimentos dos membros e no estado mental, podendo, muitas vezes, ser confundido com um AVC (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL). O paciente pode também apresentar demência e até evoluir para o coma.

Outras lesões comuns da toxoplasmose em pacientes imunossuprimidos é a coriorretinite, que causa dor ocular e perda da visão (para ler sobre lesões oculares da toxoplasmose com mais detalhes, visite o texto: Toxoplasmose Ocular do bloghttp://www.medicodeolhos.com/); pneumonite, que cursa com febre, falta de ar e tosse seca; miocardite, com sintomas de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | CAUSAS E SINTOMAS). Se não tratada, a toxoplasmose pode levar os imunossuprimidos ao óbito.

Diagnóstico sorológico da toxoplasmose

O diagnóstico da toxoplasmose é normalmente feito pela sorologia, ou seja, pela dosagem de anticorpos contra o toxoplasma gondii.

Abro aqui uma rápido parêntese para explicar como funciona a sorologia da toxoplasmose (e de várias outras doenças infecciosas). O raciocínio é o seguinte: o nosso corpo só cria anticorpos contra um determinado germe se formos expostos ao mesmo. Portanto, ter anticorpos contra toxoplasmose significa ter sido contaminado pelo parasita.

Para resumir um processo extremamente complexo, podemos dizer que nosso corpo trabalha basicamente com dois anticorpos, chamados de IgM e IgG. Assim que um germe novo entra em nosso corpo, nosso sistema imune começa a produzir o anticorpo IgM, que é chamado de anticorpo de fase aguda. Ter IgM positivo para toxoplasmose significa que a doença foi adquirida muito recentemente (o IgM surge com apenas 1 semana de contaminação). Depois de mais ou menos 4 semanas, o corpo substitui o anticorpo IgM pelo anticorpo IgG, que é mais forte e mais específico contra a doença pretendida. Portanto, depois de 4 semanas, o paciente deixa de ter IgM positivo e passa a ter apenas IgG positivo para toxoplasmose. Esta IgG para toxoplasmose ficará positiva pelo resto da vida.

Resumindo, um paciente com toxoplasmose aguda tem IgM positivo, enquanto que um paciente que possui o parasita inativo no corpo apresentará IgG positivo. Quem nunca foi exposto ao toxoplasma tem IgM e IgG negativos.

Como a toxoplasmose não causa doença em 90% das pessoas, o único modo de saber se o paciente já foi exposto ao toxoplasma é através da dosagem do IgG para toxoplasmose. Saber se a pessoa já teve toxoplasmose, mesmo que assintomática, é uma informação muito importante no caso das grávidas (leia: TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ | TOXOPLASMOSE CONGÊNITA).

Tratamento da toxoplasmose

Obviamente, pessoas com toxoplasmose assintomática não precisam de nenhum tipo de tratamento. Ter o toxoplasma inativo no corpo não significa estar doente. O tratamento também não está indicado naqueles com sintomas discretos, tipo gripe fraca, que duram poucas semanas.

O tratamento está indicado apenas nos casos sintomáticos, nos imunossuprimidos e nas grávidas. O esquema de primeira linha é feito com Pirimetamina + Sulfadiazina ou Pirimetamina + Clindamicina por 4 a 6 semanas.

Pacientes imunossuprimidos graves devem fazer profilaxia para impedir a reativação do toxoplasma. O esquema é o mesmo, apenas com doses mais baixas.

Leia mais: http://www.mdsaude.com/2010/08/toxoplasmose-igg.html#ixzz1HidrC1ek

 

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Medicamentos imunossupressores.

Medicamentos Imunossupressores

METOTREXATO – Herói ou Vilão?

O Metotrexato (MTX) é um dos medicamentos mais eficazes para o tratamento dos casos poliarticulares (isto é, com 5 ou mais articulações atingidas) e mesmo oligoarticulares persistentes , de Artrite Idiopática Juvenil.

Apesar deste facto, por vezes desconhecido de alguns pais, continuam a haver muitos receios infundados na utilização deste medicamento, quer em crianças, quer em adultos. Estes receios ficam, em grande parte, a dever-se ao facto do MTX ter sido introduzido no mercado farmacêutico mundial como medicamento para o tratamento de algumas leucemias das crianças e do adulto.

Nestas doenças, cuja gravidade clínica não necessita de ser salientada, as doses utilizadas deste medicamento são 30 a 100 vezes (!) superiores às doses utilizadas no tratamento das crianças com Artrite Idiopática Juvenil.

Por este motivo, os esclarecimentos que acompanham o medicamento, que se referem exclusivamente às doses utilizadas no tratamento das leucemias, são assustadoras e levam muitas vezes à recusa de uma terapêutica bastante eficaz e bem tolerada, nas doses que se utilizam em Reumatologia Pediátrica.

O MTX é um antagonista potente do ácido fólico, que é uma vitamina de importância fundamental na formação e multiplicação celular. Quando administrado em doses elevadas, o MTX vai interferir indirectamente na síntese dos ácidos nucleicos e também de outras proteínas celulares importantes, com consequentes actividades antiproliferativa (reduz a multiplicação celular) e imunomodeladora (altera as respostas do sistema imunológico).

Por este motivo o MTX em doses altas é utilizado no tratamento de algumas doenças cancerosas. Nestas doses altas o medicamento tem muitos efeitos secundários, compreensíveis pelo seu mecanismo de acção mas, como já referimos atrás, estes efeitos secundários são escassos ou nulos quando se utiliza o MTX em doses mais baixas.

Mecanismos de acção nas doenças inflamatórias

Não se conhecem totalmente os mecanismos de acção do MTX nas doenças inflamatórias, em que são utilizadas doses baixas do medicamento.

Nestas doenças, o MTX exerce diversos efeitos na resposta imunitária, com actividade imunomodeladora, com diminuição na produção de imunoglobulinas, etc., mas parece tratar-se mais duma actividade anti-inflamatória, relacionada com a inibição de alguns agentes mediadores da inflamação, e levando também a uma redução da aderência dos leucócitos à parede dos vasos, o que impede a sua invasão dos tecidos articulares, onde provocam fenómenos inflamatórios, o que contribui para manter as articulações inchadas e dolorosas.

Indicações Reumatologia Pediátrica:

A utilidade terapêutica e a relativa segurança do MTX em baixa dose (dose “anti-reumatismal”), tem justificado nos últimos anos, uma larga utilização do MTX como medicamento modificador da doença para o tratamento das artrites idiopáticas juvenis (doença persistente ou progressiva, formas poliarticulares, forma sistémica com manifestações articulares relevantes) e de outras doenças do tecido conjuntivo (por exemplo Dermatomiosite juvenil, Doença de Crohn, alguns casos de Lupus, etc.).

Vias de administração:

O MTX pode ser administrado de forma oral ou parentérica (intra-muscular, sub-cutânea ou endovenosa).

A forma oral é a mais frequentemente utilizada, devendo ser administrada com o estômago vazio e os comprimidos ingeridos com água ou sumos. A irregularidade da absorção oral, associada ao facto da absorção ser saturável (não aumenta a partir de determinadas doses), justificam que se opte pelas vias subcutânea (sc) ou intramuscular (im) quando se pretendem administrar doses mais elevadas, ou surgem náuseas (um efeito secundário pouco grave mas frequente) com doses orais relativamente baixas. A aceitação dos doentes é melhor para a via sub-cutânea, pois esta, por um lado, é menos dolorosa, e por outro, pode ser facilmente administrada pelo doente ou pelos pais, após treino adequado.

Posologia:

O MTX é administrado sempre uma vez por semana. As doses mais frequentemente utilizadas variam de 10 a 15mg/m2/semana ou 0,3mg/kg/semana. Em casos seleccionados, com má resposta às doses baixas, poderão utilizar-se doses até 20 ou até 30 mg/m2 ou de 1 mg/kg.

Efeitos secundários:

Os mais frequentes são:

  • orais (atrofia da mucosa e boqueiras – mucosite, ou ulcerações da boca – estomatite) e digestivos (náuseas, vómitos, mal estar gástrico, diarreia, dor abdominal) – são minimizados se a administração fôr sc ou im e se se administrar ácido fólico 2 a 3 vezes/semana, em dose idêntica à de MTX (isto é, se a dose semanal de MTX fôr de 15mg, devem ser administrados também 15 a 30mg de ácido fólico por semana, com intervalo superior ou igual a 48h em relação à administração do MTX; por exemplo, o MTX administrado aos sábados e o Ácido Fólico tomada às terças, quartas e quintas feiras);
  • hepáticos (elevação transitória das transaminases – níveis superiores a 2,5 a 3 vezes o normal justificam interromper o tratamento, pelo menos até à normalização das mesmas; para valores mais baixos bastará reduzir a dose); fibrose hepática (raro em idade pediátrica, este efeito secundário está frequentemente associado, no adulto que toma MTX à ingestão de bebidas alcoólicas, que deve ser eliminada ou bastante limitada)
  • hematológicos: anemia macrocítica, leucopenia, trombocitopenia (muito raros na criança)

Nas doses utilizadas em Reumatologia, não foram demonstrados efeitos oncogénicos.

Os potenciais efeitos teratogénicos, contra-indicam a sua utilização durante a gravidez e com menos de 3 meses de antecedência em relação à concepção, devendo as adolescentes sexualmente activas tratadas com este medicamento estar informadas deste efeito secundário.

No intuito de minimizar os efeitos secundários, e sem comprometer a eficácia, está indicado a administração simultânea de ácido fólico, por exemplo 5 mg  três vezes por semana nas 48 horas após a administração do MTX.

Risco de infecção / vacinas:

  • parece não haver risco de infecção para agentes banais; não está indicado fazer alterações  no tratamento perante infecções banais;
  • se houver exposição recente a varicela, será prudente tratar estes doentes com imunoglobulina específica (varicela – zöster) – VARITEC. No caso de infecção pelo vírus da varicela-zöster o MTX deve ser suspenso e administrada a imunoglobulina específica (varicela – zöster).
  • as vacinas vivas deverão ser evitadas; são permitidas as vacinas de agentes mortos
  • os irmãos destes doentes poderão fazer todas as vacinas, excepto a vacina anti-poliomielite oral, que deverá ser tipo SALK (parenteral)

Interacções medicamentosas:

O MTX tem interacções medicamentosas com os outros medicamentos: sulfassalazina, corticosteróides, ciclosporina, azatioprina, trimetoprim-sulfametoxazol, omeprazol, e anti-inflamatórios não esteróides, com contra-indicação relativa de alguns desses fármacos.

Contudo, apenas o trimetoprim-sulfametaxazol é de contra-indicação absoluta, pelo risco significativamente aumentado de complicações hematológicas.

Vigilância:

Todas as crianças e adolescentes tratadas com MTX devem ser seguidos em consulta da especialidade, por médico com experiência neste medicamento e nas doenças que estão a ser tratadas.

O intervalo entre as consultas não deve ser superior a 2 meses e o doente deve ter acesso fácil ao médico, através do telefone ou outro método de comunicação fácil e rápido, caso surja algum efeito secundário ou alguma dúvida relativa à utilização do medicamento.

Para o início e continuação do tratamento será necessário averiguar da normalidade da função renal (creatinina e /ou ureia séricas, sumária de urina), da função hepática (transaminase oxolacética, transaminase pirúvica, albumina, fosfatase alcalina), da situação hematológica (hemoglobina, leucócitos e plaquetas).

Os controles bioquímicos e hematológicos deverão ser realizado pelo menos mensais no início do tratamento e depois ligeiramente mais espaçados.

São indicações para interromper o tratamento:

  • ulcerações orais múltiplas ou recorrentes
  • enzimas hepáticos 3 vezes superiores ao normal
  • manifestações gastrointestinais significativas
  • neutropenia, trombocitopenia, anemia
  • infecção bacteriana grave
  • compromisso da função renal

Duração do tratamento:

A duração do tratamento é muito variável. As frequentes recidivas da doença após a suspensão do MTX, justifica a adopção de  terapêuticas prolongadas, por vezes por vários anos

Está indicado manter a dose habitual pelo menos durante mais um ano após a remissão da doença e, só depois, reduzir a dose de 2,5 mg cada 3 em 3 ou 4 em 4 meses. Se na redução terapêutica surgirem sintomas, estará indicado retomar a dose mínima eficaz prévia.

Manuel Salgado1 e J. A. Melo Gomes2

 

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Anti-inflamatórios não esteroides…

Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) no tratamento das doenças reumáticas crónicas juvenis

As artrites e outras doenças reumáticas crónicas juvenis acompanham-se frequentemente de dor e inflamação das articulações ou de outras estruturas afectadas do aparelho locomotor, como os tendões, ligamentos e músculos.

O alívio da dor é um dos objectivos mais importantes do tratamento destas crianças. Para tal utilizam-se medicamentos analgésicos, que por vezes são suficientes com essa finalidade.

Entre os analgésicos encontram-se como mais importantes, e também mais utilizados, o Paracetamol (Ben-U-Ron®, Panasorbe®, Panadol®, entre outros) e o ácido acetilsalicílico em doses baixas (20 a 50mg/Kg de peso corporal/dia; Aspirina®, Lisaspin®, Aspegic®, entre outros) que podem ser suficientes para tratar a febre e também as dores articulares, quando não existe inflamação significativa das estruturas afectadas.

Estes medicamentos têm escassos efeitos secundários, podendo contudo o ácido acetilsalicílico, mesmo nestas doses baixas, causar dores de estômago ou náuseas, ou desencadear crises de asma, em crianças mais susceptíveis.

Contudo, quando a dor é provocada por uma inflamação importante das articulações, os analgésicos simples não são suficientes e nesses casos temos que recorrer à utilização de medicamentos mais potentes no tratamento da inflamação, que têm a designação genérica de Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs).

Estes medicamentos são para tratamento sintomático, ou seja não modificam o curso  da doença mas são importantes para controlar os sintomas que surgem devido à inflamação.

Têm efeitos anti-inflamatórios (diminuem o inchaço das articulações), analgésicos (reduzem as dores) e antipiréticos (diminuem ou curam a febre, se ela existir).

Estes medicamentos são bem mais eficazes mas têm também mais efeitos secundários que importa conhecer.

O mais antigo dos AINEs é o ácido acetilsalicílico, que tem efeito anti-inflamatório em doses situadas entre os 80 e os 120mg/Kg de peso corporal da criança/dia. Conhecido há mais de 100 anos (desde 1889) é o medicamento anti-inflamatório utilizado há mais tempo, tendo sido durante muitos anos o único medicamento aprovado nos Estados Unidos da América para o tratamento de crianças com Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) .

Nas doses anti-inflamatórias este medicamento pode causar dores abdominais, náuseas, vómitos, perda do apetite, hemorragias nasais, úlceras de estômago ou do duodeno, com ou sem hemorragia digestiva, precipitar crises de asma, levar a graus moderados de inflamação do fígado, e provocar salicilismo (intoxicação pelo ácido acetilsalicílico, quando a sua concentração no sangue é superior ao desejável, manifestada por tonturas, dores de cabeça e zumbidos dos ouvidos).

Claro que a maior parte destes efeitos secundários indesejados do ácido acetilsalicílico surgem raramente, sendo contudo relativamente comum a presença de algum grau de desconforto gastro-intestinal. O ácido acetilsalicílico é por este motivo cada vez menos utilizado no tratamento das artrites juvenis, tendo ainda um papel relevante apenas no tratamento da febre da AIJ Sistémica, em que pode ser o tratamento mais eficaz.

Outros AINEs foram surgindo ao longo dos anos, desde a fenilbutazona e a oxifenilbutazona (já afastadas do mercado farmacêutico nacional devido aos seus efeitos secundários, mas que eram medicamentos muito potentes na sua acção anti-inflamatória), a indometacina (Indocid®, Dolovin®, entre outros),ainda com alguma utilidade na AIJ Sistémica (também para o tratamento da febre) e nas Espondiloartropatias juvenis (outra forma de artrite da infância e adolescência) – a indometacina tem vindo também a ser abandonada na criança devido à frequência elevada dos seus efeitos secundários (dores abdominais, úlceras gástricas e duodenais, falta de apetite, dores de cabeça, tonturas, depressão).

Entre o início da década de 80 e meados dos anos “90” foram introduzidos no mercado farmacêutico vários (mais de 50!) AINEs também potentes mas com menos efeitos secundários, alguns dos quais se tornaram muito populares no tratamento das crianças com doenças reumáticas crónicas.

Dentre eles destacam-se o Naproxeno (Naprosyn®), o Ibuprofeno (Brufen®), o Diclofenac (Voltaren®, Olfen®, Flameril®) fármacos bastante eficazes, mas que mantêm, embora com  menor frequência, os efeitos secundários gerais apontados anteriormente para outros AINEs.

Apesar dos seus potenciais efeitos secundários, estes AINEs são muito úteis no tratamento das crianças com doença reumática crónica, constituindo, até ao presente, a principal arma terapêutica para, a curto prazo, debelar os sintomas principais da inflamação nas crianças e jovens atingidos por estas doenças.

É importante lembrar que os efeitos secundários indicados surgem em menos de 20% das crianças. Devemos pois estar muito atentos a eles e o jovem, ou os pais, devem referir ao médico qualquer sintoma que lhe pareça poder ser devido ao tratamento com estes (ou outros) medicamentos.

Nunca devem ser utilizados 2 ou mais AINEs em associação (ao mesmo tempo) para tratar o doente, porque assim o risco de efeitos adversos é muito superior.

Diferentes doentes podem ter respostas muito diferentes aos diferentes AINEs. Assim sendo, por vezes um deles é ineficaz e outro dá bons resultados.

Estes medicamentos têm efeitos terapêuticos parecidos e efeitos secundários em muito idênticos porque todos diminuem a inflamação através do bloqueio de um enzima que a causa. Esse enzima chama-se Ciclo-Oxigenase (para abreviar os cientistas chamam-lhe COX) descrito no início dos anos “70” por um cientista Inglês – Sir John Vane – que recebeu o Prémio Nobel por esta descoberta.

Até há pouco tempo pensava-se que existia apenas um destes enzimas no nosso organismo. Mas no início da década de “90” verificou-se que existiam duas COX, uma que existia sempre no organismo e tinha funções úteis a COX1 (protege o estômago, aumenta a circulação renal, ajuda a função das plaquetas, etc) e outra que surge principalmente nas zonas inflamadas, sendo uma das principais causas da inflamação e das dores articulares nas crianças (e adultos) com doenças reumáticas crónicas – a COX2.

Os medicamentos AINEs existentes até ao fim dos anos “90” actuam todos indiscriminadamente sobre a COX1 e sobre a COX2, reduzindo a inflamação por inibirem a COX2 e causando os efeitos secundários gastro-intestinais mais frequentes por inibirem a COX1.

A partir desta descoberta foi possível tentar desenvolver medicamentos que bloqueassem a produção de COX2 (a enzima que causa a inflamação articular), mas não interferissem com a produção de COX1 (que está presente sempre no indivíduo saudável e tem funções protectoras do organismo).

No fim do ano de 1999 foi comercializado nos Estados Unidos da América o primeiro AINE inibidor específico da COX2 (ou seja, que na dose que é administrado tem efeito anti-inflamatório e analgésico, por inibir a COX2, e não tem nenhum efeito detectável sobre a COX1). Pouco tempo depois outro medicamento similar foi introduzido no mercado. Estes medicamentos têm a vantagem de ser anti-inflamatórios e analgésicos.

No entanto, os inibidores específicos da COX-2 (Celecoxib e Rofecoxib) são muito mais caros que o outro tipo de AINEs e o debate sobre a sua eficácia e segurança em relação àqueles não está ainda concluído. Acresce que a experiência com estes medicamentos em crianças é ainda muito limitada.

Contudo, vários medicamentos desta família encontram-se já em fases diversas de estudo e desenvolvimento. É pois muito provável que dentro de alguns anos assistamos a uma opção clara de tratamento por medicamentos com menos efeitos secundários e que têm uma eficácia terapêutica idêntica aos restantes AINEs que se utilizavam previamente..

Se o seu filho está a tomar este tipo de medicamentos (AINEs), informe-se sempre junto do seu reumatologista da melhor altura de os tomar: se antes ou após as refeições; se é necessária ou conveniente a protecção gástrica com outro medicamento, de modo a prevenir efeitos secundários graves.

Se surgirem sintomas gastro-intestinais inexistentes antes, mesmo que não lhe pareçam relacionados com os medicamentos, não deixe de os relatar ao seu Reumatologista.

Lembre-se que nas crianças os sintomas de úlcera ou inflamação gástrica ou duodenal nem sempre são iguais aos do adulto; a criança pode ter apenas falta de apetite muito acentuada ou náuseas, e por vezes uma dor nas costas pode ser um sintoma de doença do estômago causada pelos AINEs.

Não deixe de se esclarecer com o seu Reumatologista!Só ele pode diagnosticar e prescrever a medicação exata.

(adaptado de artigo original do Boletim ANDAI)

 

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