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ARTRITE PSORIÁSICA= 7 DICAS PARA CONVIVER COM A DOENÇA

Artrite psoriásica: 7 dicas para conviver melhor com a doença

É preciso ser participativo no tratamento, seguir as recomendações e acreditar que é possível ter qualidade de vida

POR CINTHYA DÁVILA – PUBLICADO EM 06/05/2016

A artrite psoriásica é uma doença inflamatória diretamente ligada à psoríase. Ela afeta ligamentos, tendões, articulações (juntas) e, quando não tratada, pode causar dor e comprometimento progressivo das juntas e, por consequência, dos movimentos. No entanto, o diagnóstico de artrite psoriásica não significa que o paciente ficará incapacitado de realizar suas atividades rotineiras. Trata-se de uma doença crônica e progressiva que precisa de tratamento adequado, cuidados específicos e, muitas vezes, de diferentes especialidades médicas para garantir a qualidade de vida e bem-estar do paciente.

Para falar sobre esse assunto, o Minha Vida conversou com o reumatologista Celio Roberto Gonçalves, presidente da Comissão de Espondiloartrites, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), médico assistente doutor na Disciplina de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e Chefe da Unidade Ambulatorial de Espondiloartrite do Hospital das Clínicas, com a reumatologista Claudia Goldenstein Schainberg, que é membro da subcomissão de espondiloartrites e artrite psoriásica da SBR, membro do Grupo de Pesquisa e Avaliação da Psoríase e Artrite Psoriásica – GRAPPA, professora colaboradora da Faculdade de Medicina da USP, e com a fisioterapeuta Andréa Lopes Gallinaro, especialista em reumatologia e mestre em reabilitação reumatológica.

Veja as dicas para saber como conviver melhor com a artrite psoriásica:

Acredite no tratamento

Receber um diagnóstico de artrite psoriásica nunca é fácil e é muito comum ter pensamentos negativos nesse momento. No entanto, atualmente existem medicamentos de resposta imunológica rápida, que impedem a progressão da doença e, muitas vezes, deixam a artrite psoriásica adormecida. Segundo a reumatologista Claudia Goldenstein Schainberg, hoje é possível estacionar a doença e são raros os casos em que o paciente precisa ser encaminhado para uma cirurgia. “Nós contamos com medicamentos que, no caso da psoríase, limpam a pele em duas semanas, por exemplo. Da mesma forma, existem tratamentos que evitam a incapacitação funcional e melhoram a vida do paciente”, alerta a especialista.

Vale lembrar que os resultados positivos só podem ser alcançados se o paciente aceitar o tratamento e realizá-lo de forma correta. Por isso, é preciso tomar os remédios recomendados na hora certa, fazer exercícios físicos a fim de lubrificar e fortalecer as juntas, manter o peso para não sobrecarregar as articulações e ocasionar quedas e possíveis fraturas. Evitar vícios prejudiciais à saúde (cigarro, álcool) e tomar banhos diários de sol, que é um importante regenerador da pele, também são cuidados necessários. É fundamental tirar todas as dúvidas com o médico. “Pode-se dizer que a maioria dos pacientes que segue o tratamento corretamente consegue deixar a doença inativa”, explica o reumatologista Célio Roberto Gonçalves.

Busque ajuda emocional

Quem convive com a artrite psoriásica de perto sabe que o lado emocional pesa bastante, por diferentes motivos. Primeiramente a autoestima do paciente pode ficar abalada por se sentir incomodado ou envergonhado com os sinais aparentes da doença, tanto na pele, se houver um quadro de psoríase, quanto nas juntas e unhas, que podem ficar inchadas e deformadas dependendo do quadro. Gonçalves conta que muitos pacientes apresentam quadros de depressão por sentirem vergonha da aparência. “Alguns não recebem apoio da família e amigos, que acreditam que a doença é contagiosa e sentem-se como se fossem um fardo para todos ao redor. Como consequência, não querem ser vistos em público por causa dos olhares que podem receber, o que pode dificultar o tratamento. Essa tristeza prejudica as chances de melhora e pode fazer com que as crises aconteçam e a doença avance”, ressalta o reumatologista Célio Roberto Gonçalves.

Por isso, é importante não ignorar o lado emocional durante o tratamento de artrite psoriásica. Em caso de tristeza e dificuldade de se aceitar com a doença é importante pedir ajuda e mostrar às pessoas próximas como se sente. Cláudia explica que atualmente existem grupos de apoio em que o paciente pode trocar experiências com outras pessoas. “Lá eles percebem que não são os únicos que convivem com aquele problema. Têm a chance de compartilhar seus medos, dúvidas, vitórias e desafios”, conta a especialista

Não tenha medo do tratamento com vários especialistas

A artrite psoriásica é uma doença que pode apresentar diferentes doenças relacionadas. Por isso, além do reumatologista e do dermatologista, o paciente pode ser encaminhado para consultas com profissionais de diferentes áreas. Entre as especialidades que precisam ser envolvidas, a cardiologia é uma das principais. Isso porque um paciente com artrite psoriásica pode apresentar um risco maior de desenvolver hipertensão arterial e diabetes tipo 2, em decorrência do tratamento com corticoides, por exemplo. Além disso, o paciente pode precisar também de um acompanhamento fisioterápico e até mesmo oftalmológico. O acompanhamento com vários especialistas possibilita maior controle da doença e qualidade de vida. Isso não quer dizer que o tratamento atual não esteja funcionando, mas sim que precisa ser visto pela ótica de diferentes áreas.

Seja participativo em seu tratamento

A fisioterapeuta Andréa Lopes Gallinaro, especialista em reumatologia com mestrado em reabilitação reumatológica, explica que o paciente precisa ser participativo no tratamento. Para ela, o paciente não pode ser passivo e é importante que ele diga ao médico, ao fisioterapeuta e aos outros profissionais envolvidos como ele se sente em relação ao tratamento. “Se o paciente não se sente a vontade em fazer determinado exercício ou se não gosta de musculação, precisa avisar ao fisioterapeuta ou ao médico. Tudo isso ajudará o profissional a se aproximar e fornecer explicações sobre o motivo de determinada intervenção”, explica Andréa.

Claudia completa dizendo que o médico precisa analisar o contexto geral do paciente. Se ele não gosta de medicação oral, deve-se procurar uma alternativa a isso ou ressaltar a importância desse tipo de terapia, pois não adianta receitar um medicamento que o paciente não concorda, pois isso fará com que ele fique desmotivado diante do tratamento.

É fundamental que o paciente entenda o porquê de cada etapa do tratamento e se sinta à vontade para questionar, expor suas dúvidas, medos e anseios e dizer qual alvo do tratamento mais importante para ser priorizado. Estes são alguns aspectos fundamentais para que o tratamento faça sentido para o paciente e dessa forma ele se sinta motivado a segui-lo e assim manter a artrite psoriásica sob controle.

Faça atividades físicas

Os pacientes com artrite psoriásica podem obter grandes conquistas quando incluem exercícios físicos em sua rotina. A realização de atividades físicas contribuem para que ele mantenha as juntas em atividade e devidamente lubrificadas, contribuindo para o controle da dor. Além disso, como citado anteriormente, a artrite psoriásica faz com que o organismo desenvolva algumas doenças associadas, principalmente doenças cardiovasculares. A rotina de exercícios e fisioterapia faz os riscos relacionados a doenças cardiovasculares diminuírem, pois os exercícios possibilitam que o coração trabalhe com mais eficiência e sem tanto esforço. Dessa forma, o sangue flui melhor e as artérias e vasos ficam mais flexíveis e saudáveis. Tudo isso previne o risco de infarto, colesterol alto, derrame e hipertensão.

Vale lembrar que o recomendado é fazer exercícios de baixo impacto para não comprometer as juntas. Esportes como natação, pilates, caminhada, bicicleta ergométrica e hidroginástica são boas opções. Da mesma forma, se estiver com uma crise aguda, precisa informar o médico e o fisioterapeuta para que os exercícios sejam adaptados ou suspensos até que o quadro melhore.

Segundo a fisioterapeuta Andréa, a realização de atividades físicas também contribui para manter a densidade dos ossos e o equilíbrio. Ela conta que muitos pacientes conseguem evitar o uso de bengalas, órteses e até cadeiras de rodas com uma rotina de exercício adequada e tratamento seguido à risca. “A força de vontade e a disciplina têm um poder transformador. Em alguns casos os resultados são tão positivos e o paciente fica tão confiante que começa a fazer exercícios físicos na academia”. Dessa forma, se antes o paciente fazia exercícios para melhorar a fraqueza e ganhar mais mobilidade, agora ele faz para ganhar massa muscular. No entanto, é essencial que exista uma orientação dos médicos para que o treinamento não atrapalhe o tratamento.

Os benefícios obtidos com a fisioterapia e a realização de exercícios físicos não refletem apenas na saúde física, eles apresentam grande influência para a aceitação e confiança desse paciente, que passa a se ver como uma pessoa capaz de realizar diferentes atividades. “A atividade física é boa para a mente e para o corpo. O paciente que realiza atividades físicas se socializa com outras pessoas. É fundamental manter contato com o mundo exterior e não ter vergonha de quem é”, ressalta Gonçalves.

Utilize recursos que facilitem sua rotina

Alguns movimentos rotineiros, como por exemplo, segurar um objeto, cortar um alimento, ou torcer a roupa podem ser difíceis para quem tem artrite psoriásica. Um dos motivos é que essas atividades exigem o movimento de prensa das mãos e, muitas vezes, envolvem as juntas que estão comprometidas por causa da doença. Diante desse cenário, é necessário promover adaptações.

Uma boa forma de tornar a hora de comer mais fácil é forrar os utensílios. Atualmente existem dispositivos que podem ser colocados ao redor desses objetos, possibilitando que as juntas dos dedos sejam poupadas. Outra dica é comprar uma espuma para guidão de bicicleta e colocar o utensílio dentro.

As torneiras e maçanetas em formato de bolinha são muito mais difíceis de serem giradas. Isso porque esse tipo de dispositivo exige o movimento de prensa da mão, que solicita exatamente as articulações mais prejudicadas. Para abrir maçanetas e torneiras em formato de cabo, basta um empurrão, para baixo ou para cima, bem mais fácil de ser realizado.

O movimento de descascar legumes também é um dos maiores incômodos para quem tem artrite psoriásica. Mas um descascador pode ajudar a tornar a atividade menos dolorosa. “Pequenas mudanças e adequações podem tornar a rotina mais confortável e possibilitar que ele tenha mais autonomia no dia a dia”, afirma Andréa.

Em paralelo às adequações feitas em casa, o paciente com artrite psoriásica também precisa prestar atenção aos seus movimentos rotineiros. “Um hábito que precisa ser corrigido é o de colocar o travesseiro embaixo da perna, no intuito de aliviar os joelhos inchados. A almofada pode encurtar a musculatura das juntas. Quando o paciente for levantar, ele acaba forçando outras articulações”, alerta a especialista.

Da mesma forma, ela explica que o ato de colocar um travesseiro atrás das costas também é prejudicial. O motivo é que encostar no travesseiro faz com que o paciente fique curvado para frente. “É muito difícil recuperar um paciente que se acostumou a uma posição errada. Por isso é importante realizar um acompanhamento com o fisioterapeuta, mesmo antes de iniciar a fisioterapia em casa. Dessa forma, o profissional pode orientar sobre como corrigir pequenos hábitos”, aponta.

Mantenha o peso

Muitas vezes, devido à diminuição do ritmo de atividades físicas, fatores emocionais e também em decorrência do uso de medicamentos, o paciente com artrite psoriásica pode apresentar ganho de peso. Esse quadro é prejudicial, pois pode sobrecarregar as juntas, dificultar a movimentação e facilitar o aparecimento de doenças cardiovasculares, como pressão alta, colesterol e diabetes tipo 2. “É muito comum usar medicamentos com corticoide na fase aguda da doença e essa substância favorece o ganho de peso e o inchaço. Mas esse período não dura para sempre e à medida em que vai melhorando, a dosagem diminui e muitas vezes percebemos que o paciente está acima do peso por causa da alimentação e não necessariamente devido aos medicamentos”, conta Andréa.

De acordo com a fisioterapeuta, um paciente que se alimenta adequadamente, realiza exercícios físicos, dorme bem e cuida da saúde mental, consegue manter um peso saudável, mesmo com a medicação.

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